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A doação de órgãos é um ato de consciência e amor ao próximo. Todos os anos, milhares de vidas são salvas por meio desse gesto. O transplante é um procedimento cirúrgico em que um órgão ou tecido doente é substituído por um saudável.

No Brasil a realização de transplante de órgãos tem o amparo da Lei 9.434 de 4 de fevereiro de 1997 e pela Lei 10.211 de 23 de março de 2001 que determinam que a doação de órgãos e tecidos pode ocorrer em duas situações: de doador vivo com até 4º grau de parentesco desde que não haja prejuízo para o doador; e de um doador morto, que deve ser autorizada pela família.

Qualquer pessoa, maior de 18 anos, pode ser uma doadora de órgãos, desde que tenha condições adequadas de saúde e seja avaliado por um médico e realizado uma série de exames.

Veja o nosso bate papo com a Enfermeira da Central de Gerenciamento de Doação em Transplante Cristiane de Paula do Instituto.

 

* Quero me tornar um doador. Como vou fazer?

 

Primeiro deve conversar com a sua família e deixar bem claro o seu desejo. Não é necessário deixar nada por escrito. A doação de órgãos é um ato pelo qual você manifesta a vontade de que, a partir do momento da constatação da morte encefálica, uma ou mais partes do seu corpo, em condições de serem aproveitadas para transplante, possam ajudar outras pessoas.

 

* Quais são as regras para ser um doador falecido?

 

Ter identificação e registro hospitalar;

Ter a causa do coma estabelecida e conhecida, como por exemplo, trauma por acidente de transito.

Não apresentar hipotermia, hipotensão arterial ou estar sob efeitos de drogas depressoras do sistema nervoso central;

Passar por dois exames neurológicos que avaliem o estado do tronco cerebral. Esses exames devem ser realizados por dois médicos não participantes das equipes de captação e de transplante.

Submeter-se a exame de imagem complementar que demonstre e confirme a morte encefálica.  

 

* Mas o que é morte encefálica?

 

Essa pergunta é muito importante e precisamos reforçar que morte encefálica é um situação bem diferente do coma (quando as células do cérebro estão vivas, respirando e se alimentando, mesmo que com dificuldade ou um pouco debilitadas). Na morte encefálica não há de fluxo sanguíneo em quantidade necessária no cérebro, além de inatividade elétrica e metabólica cerebral.

 

* E o que acontece quando confirma a morte encefálica?

Depois de diagnosticada a morte encefálica, o médico do paciente, da Unidade de Terapia Intensiva ou da equipe de captação de órgãos deve informar de forma clara e objetiva que a pessoa está morta e que, nesta situação, os órgãos podem ser doados para transplante.

 

* Quais órgãos doar?

 

Córneas (retiradas do doador até seis horas depois da parada cardíaca e mantidas fora do corpo por até sete dias);

Coração (retirado do doador antes da parada cardíaca e mantido fora do corpo por no máximo seis horas);

Pulmão (retirados do doador antes da parada cardíaca e mantidos fora do corpo por no máximo seis horas);

Rins (retirados do doador até 30 minutos após a parada cardíaca e mantidos fora do corpo até 48 horas);

Fígado (retirado do doador antes da parada cardíaca e mantido fora do corpo por no máximo 24 horas);

Pâncreas (retirado do doador antes da parada cardíaca e mantido fora do corpo por no máximo 24 horas);

Ossos (retirados do doador até seis horas depois da parada cardíaca e mantidos fora do corpo por até cinco anos);

Medula óssea (se compatível, feita por meio de aspiração óssea ou coleta de sangue).

 

* O corpo do doador fica deformado após a retirada dos órgãos?

 

A diferença não dá para perceber. Aparentemente o corpo fica igualzinho. Aliás, a Lei é clara quanto a isso: os hospitais autorizados a retirar os órgãos têm que recuperar a mesma aparência que o doador tinha antes da retirada.

 

* Pode doar em vida?

 

Sim existe a doação de órgãos ainda vivo. O médico poderá avaliar a história clínica da pessoa e as doenças anteriores. A compatibilidade sanguínea é primordial em todos os casos. Há também testes especiais para selecionar o doador que apresenta maior chance de sucesso. Os doadores vivos são aqueles que doam um órgão duplo como o rim, uma parte do fígado, pâncreas ou pulmão, ou um tecido como a medula óssea, para que se possa ser transplantado em alguém de sua família ou amigo. Este tipo de doação só acontece se não representar nenhum problema de saúde para a pessoa que doa.

 

* Para doar órgãos em vida é necessário:

 

Ser um cidadão juridicamente capaz;

Estar em condições de doar o órgão ou tecido sem comprometer a saúde e aptidões vitais.

Apresentar condições adequadas de saúde, avaliadas por um médico que afaste a possibilidade de existir doenças que comprometam a saúde durante e após a doação;

Querer doar um órgão ou tecido que seja duplo, como o rim, e não impeça o organismo do doador continuar funcionando.

Ainda tem dúvidas sobre doação de órgãos? Participe de nossa enquete no Instagram @icdf.fuc, envie sua pergunta!